Filosofia 11.º Ano – Descartes: A Existência de Deus

Descrição e Interpretação da Atividade Cognoscitiva
– O racionalismo de René Descartes
» A Existência de Deus

Tipos de ideias que estão presentes no sujeito:
Adventícias, têm origem na experiência sensível (ideias de barco, copo, cão);
Factícias, são fabricadas pela imaginação (ideias de centauro, dragão, sereia);
Inatas, São ideias constituídas da própria razão (ideias de pensamento, existência, matemáticas). Estas ideias são claras e distintas.

– Entre as ideias inatas que possuímos encontra-se a noção de um ser perfeito, um ser omnisciente, omnipotente e sumamente bom. A ideia de ser perfeito servirá de ponto de partida para a investigação relativa à existência do ser divino.

– Descartes demonstra a existência de Deus mediante três provas:
A primeira prova, o Argumento Ontológico, parte da constatação de que na ideia de ser perfeito estão compreendidas todas as perfeições. A existência é uma dessas perfeições. Por consequência, Deus existe. O facto de existir é inerente à essência de Deus, de tal modo que este ser não pode ser pensado como não existente. A sua existência apresenta um carácter necessário e eterno.

A segunda prova, Argumento da Marca Impressa, tem como princípio o ser perfeito. Podemos procurar a causa que faz com que essa ideia se encontre em nós. Tal causa não pode ser sujeito pensante, pois essa ideia representa uma substância infinita. Nesse sentido, o sujeito pensante, sendo finito, não é a causa da realidade objetiva de tal ideia. O nada também não pode ser a sua causa, nem qualquer ser imperfeito. A causa da ideia de Deus não é outro ser senão Deus. Assim, Deus é uma realidade que possui todas as perfeições representadas na ideia de ser perfeito. Em suma, é ele próprio ser perfeito e a causa originada da ideia de perfeição.

A terceira prova, A Causa da Existência do Ser Pensante, baseia-se no princípio da causalidade. O que agora se procura saber qual é a causa da existência do ser pensante, que é um ser finito, contingente, imperfeito. Essa causa não é o sujeito que pensa, se o fosse, com certeza que ele daria a si próprios as perfeições das quais possui uma ideia. Mas isso não se verifica. Por outro lado, e partindo do princípio de que a criação é uma ação continua, o sujeito finito apercebe-se de que não possui o poder de se conversar no próprio ser. Por isso, o criador do ser imperfeito e finito é Deus, que por sua vez é um ser perfeito e não necessita de ser criado por outro ser. Deus sendo um ser perfeito não é enganador, pelo que nos encontramos libertos da dimensão hiperbólica e mais corrosiva da dúvida. Deus é a garantia da verdade objetiva das ideias claras e distintas, pois ele constitui a garantia de que não nos enganamos. Deus é o princípio do ser e do conhecimento.

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