Filosofia 11.º Ano – Exercícios de Preparação: Exame Nacional de Filosofia

1. Leia o seguinte texto:

«Todas as cores da poesia, por mais esplêndidas, jamais podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a descrição pela paisagem real. O mais vivo pensamento é ainda inferior à mais fraca sensação.
Podemos observar uma distinção semelhante; um homem, num acesso de cólera, é estimulado de um modo muito diferente daquele que apenas pensa nessa emoção.»
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Lisboa Editora, 2006

1.1 A partir do texto, esclareça a distinção que Hume estabelece em relação à perceção dos objetos, ou do conhecimento que deles temos.

1.2 Thomas Kuhn apresenta uma conceção de ciência suportada em paradigmas. Esclareça a importância que os conceitos de paradigma e revolução desempenham na teoria de Kuhn sobre a ciência.

Soluções:

1. David Hume considera que a perceção dos objetos é realizada por dois tipos ou níveis, ou seja, a partir de impressões e ideias. No entanto, considera que elas não têm a mesma capacidade ou valor, pois enquanto as impressões são as sensações adquiridas imediatamente pela experiência, as ideias são as representações mentais construídas a partir das impressões, são portanto, cópias das impressões.
Nesse sentido, as impressões são mais importantes que as ideias, dado que se apresentam com mais força e vigor que as ideias pois, como afirma o texto «Todas as cores da poesia, por mais esplêndidas, jamais podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a descrição pela paisagem real», ou seja, por mais importantes que sejam os pensamentos jamais conseguirão representar a realidade com tal distinção como as impressões, além disso estarão sempre dependentes, segundo Hume, daquilo que as impressões lhes fornecerem.

2. Thomas Kuhn considera que a investigação científica se desenvolve em torno de paradigmas. Um paradigma é o conjunto de crenças, princípios e metodologias partilhadas pela comunidade científica e que serve de modelo para toda a investigação. A partir daí, toda a ciência é desenvolvida segundo as regras do paradigma para a resolução dos diversos problemas. No entanto, uma vez que não existem modelos perfeitos e a própria sociedade está em mudança – fator subjetivo que intervém na investigação científica – o paradigma vai apresentando anomalias sendo incapaz de responder aos desafios que lhe são propostos e cuja credibilidade é posta em causa, dividindo, deste modo, a comunidade científica (ciência em crise). Assim, surge a necessidade de instaurar um novo paradigma. Contudo, segundo Kuhn, o novo paradigma não emerge segundo uma linha de continuidade em relação ao anterior, pois eles são incompatíveis, levando ao seu total abandono por parte da comunidade científica, daí o termo de revolução. Kuhn acrescenta também que os paradigmas, por serem opostos, são também incomensuráveis, não sendo possível, por isso, determinar se a ciência progride em direção à verdade.

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