Preparação para o Exame Nacional de Filosofia: Karl Popper

1 – Texto A
Aquilo em que nós acreditamos (bem ou mal) não é que a teoria de Newton ou a de Einstein sejam verdadeiras, mas sim boas aproximações à verdade, […] podendo ser superadas por outras melhores.
Karl Popper, O Realismo e o Objetivo da Ciência, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1997

1.1 – Concorda com a posição de Popper relativamente ao problema da evolução da ciência?
Justifique a resposta, fundamentando a sua posição em, pelo menos, duas razões.

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Filosofia 11.º Ano – Exercícios: Kopper e o critério de falsificabilidade

1.1. Considere as proposições abaixo expostas.
Selecione, depois, a alternativa que corretamente se lhes adequa.

1. Todos os metais oxidam.
2. Na sétima dimensão, alguns metais oxidam.
3. Este metal oxida.
4. Nenhum metal oxida.

A. só as proposições 1, 3 e 4 são falsificáveis;
B. só as proposições 2 e 4 são falsificáveis;
C. só as proposições 1 e 2 são falsificáveis;
D. só as proposições 3 e 4 são falsificáveis

1.2. Usando o critério de falsificabilidade mostre quais dos enunciados que se seguem são cientificos e quais os que não são:

A. Não existe vida nos planetas do nosso sistema solar.
B. Toda a felicidade está na vida para além da morte.
C. A velocidade da luz é constante.

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Filosofia 11.º Ano – Críticas a Karl Popper

Críticas a Popper:

O processo de refutação ou falsificação não é o procedimento mais comum entre os cientistas.
– Alguns autores defendem que a atitude falsificacionista não corresponde exatamente àquela que os cientistas demonstram na atividade científica.

Considerando a história da ciência, não parece que ela possa evoluir por um processo assente nas refutações.
– Ao nível da história da ciência encontramos episódios que parecem pôr em causa a perspetiva falsificacionista e a ideia de que a ciência progride por meio de conjeturas e refutações.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper: O Critério da Falsificabilidade

O Critério da Falsificabilidade:

– Uma hipótese é científica se, e só se, for falsificável;
– Uma teoria é tanto mais falsificável quanto mais conteúdo empírico ela contenha;
– Permite a Popper responder ao problema da demarcação;
– As teorias científicas são diferentes das não-científicas (ou das pseudocientíficas), na medida em que são falsificáveis.

Conclusão:
– Quanto maior for o risco de o enunciado ser refutado, maior informação ele terá;
– Inversamente, quanto menor risco de ser refutado o enunciado correr, menor conteúdo empírico ele evidenciará.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper: Etapas do Método Hipotético-Dedutivo (ou Conjetural)

Etapas do Método Hipotético-Dedutivo (ou Conjetural):

– Formulação da hipótese ou conjetura a partir de um facto-problema:
– O ponto de partida da investigação científica são os problemas ou factos-problemas . Um facto-problema surge, em geral, de conflitos decorrentes das nossas expectativas ou das teorias já existentes. Para o resolver, o cientista terá de propor uma explicação provisória – hipótese (ou conjetura): momento criativo da atividade científica, associado à intuição, à imaginação, ao raciocínio abdutivo (raciocínio criativo) e não à indução.

– Dedução das consequências:
– Depois de a hipótese ter sido formulada, são deduzidas as suas principais consequências. Ou seja, na prática o cientista procura prever o que pode acontecer se a sua hipótese ou conjetura for verdadeira.

– Experimentação:
– Agora será necessário descobrir se as previsões que o cientista fez estão ou não corretas: a hipótese será testada, confrontada com a experiência. Os resultados podem, então, mostrar o “sucesso” ou o fracasso da conjetura proposta.
– Se for validada pela experiência, a hipótese é considerada como credível e passará a ser reconhecida na comunidade científica – teoria corroborada.
– Se não for validada, teremos de a abandonar ou de a reformular – teoria refutada.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper: Método das Conjeturas e Refutações

O método proposto por Karl Popper ficou conhecido por Método das Conjeturas e Refutações, que pode ser resumido em 3 etapas principais:

Problema:
– O ponto de partida para a ciência, ao contrário do que pensavam os indutivistas não pode ser a observação pura e imparcial dos factos, mas sim um problema levantado por uma observação que entra em confronto com as teorias e expetativas de que já dispomos.

Conjetura:
– Depois da formulação do problema compete ao cientista encontrar uma hipótese que seja uma possível resposta a esse problema.
– Essa hipótese pode ser uma suposição arrojada, imaginativa, mas
devidamente fundamentada, concebida para tentar explicar os factos.
– Popper chama conjeturas a este tipo de hipóteses.

Refutação:
– Esta etapa corresponde à fase em que o cientista testa a hipótese.
– Testar a hipótese consiste em confrontá-la coma experiência.
– Basta encontrar na experiência um elemento que contrarie a hipótese para
que esta seja afastada (refutada pela experiência).
– Este teste refutador deve ser conclusivo.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper e a Ciência (insatisfação da proposta indutivista da ciência)

Karl Popper e a insatisfação da proposta indutivista da ciência.

– Faz-se por um processo de construção criativa de hipóteses– conjeturas – para responder a problemas.
– Ao contrário do indutivismo, Popper entende que a observação não é o ponto de partida do cientista, nem as teorias resultam de inferências indutivas.
A ciência parte de problemas (ou factos-problemas) e as teorias começam por ser hipóteses explicativas e criativas (conjeturas) que terão de ser submetidas a testes rigorosos, tendo em vista a sua refutação.

Filosofia 11.º Ano – A conceção de Ciência de Popper – O Método Conjetural

Karl Popper: O Método Conjetural

– Considera que a especificidade metodológica da ciência não pode assentar na indução.
– A construção do conhecimento científico faz-se através de conjeturas e refutações
Rejeita o critério da verificabilidade e da confirmação das hipóteses e teorias científicas tal como proposto pelo positivismo lógico.
– O critério que garante a cientificidade das teorias é o da sua falsificabilidade.

Filosofia 11.º Ano – Críticas ao Indutivismo

– Críticas ao Indutivismo

A observação não é ponto de partida do método científico e, ainda que o cientista recorra à observação, ela não é totalmente neutra e isenta.
– A observação dos fenómenos ocorre num determinado contexto.
– A observação do cientista é afetada por pressupostos teóricos, teorias, conceitos e expectativas desenvolvidas
face à investigação.

O raciocínio indutivo não confere o rigor lógico necessário às teorias científicas.
– A indução constitui, em termos lógicos, uma operação que obriga a um salto do conhecido para o desconhecido.

Filosofia 11.º Ano – Problema da Indução

Mas será que as teorias e as leis propostas pelos cientistas podem ser realmente verificadas?

“Há corvos negros.”
Esta proposição é verificável: podemos verificar aquilo que ela afirma de cada vez que se vê um corvo. Se o corvo for negro, a proposição é verdadeira

“Todos os corvos são negros.”
Aquilo que nesta proposição se afirma não pode ser estritamente verificado de forma universal, pois é impossível saber a cor de todos os corvos que existiram no passado, que existem e que existirão no futuro.

Logo,

Problema da Indução
Se todos e cada um dos corvos observados até ao momento forem negros, o enunciado «Todos os corvos são negros» traduz uma proposição verdadeira. Assim, o enunciado confirma-se, o que é suficiente para que seja reconhecido como científico.