Artes e Letras: 25 de Abril – Roteiro da Revolução

25 de Abril – Roteiro da Revolução
Uma viagem pelos lugares que marcaram a revolução de José Mateus, Susana Gaudêncio e Raquel Varela

Sinopse:
Terminou no dia 25 de abril de 1974 a ditadura do Estado Novo.
Um grupo de oficiais das Forças Armadas pegou em armas e depôs um regime há muito decadente.
Contra os vários apelos do MFA para que as pessoas ficassem em casa, tem início um processo que ficará conhecido como Revolução dos Cravos.
Siga todos os passos.

Fonte: Livraria Bertrand, consultado a 20 de abril de 2018

5 de outubro de 1910 – Implantação da República

Crise e queda da Monarquia:
Entre 1890 e 1892, a Europa viveu uma crise económica-financeira, que teve reflexos em Portugal. Os sinais dessa crise foram:
Falências de bancos e empresas;
Aumento da dívida pública;
Desvalorização da moeda;
Inflação;
Aumento de impostos;
Aumento do desemprego;
→ Este conjunto de factores levaram ao agravamento das condições de vida população, principalmente da classe média e do operariado, o que levou ao descontentamento social.

Difusão das doutrinas socialistas e republicanas:
• Na década de 70 do século XIX, fundaram-se em Portugal dois partidos políticos, O Partido Republicano e o Partido Socialista ou Operário;
Partido Republicano:
Forte adesão popular devido ao descontentamento popular;
→ O mapa-cor-de-rosa e o ultimato inglês foram encarados pela população portuguesa, como uma verdadeira humilhação perante as cedências feitas pelo Rei D. Carlos aos ingleses;
31 de janeiro de 1891, na cidade do Porto é feita a primeira tentativa de implantação da república. Apesar do fracasso, o país mostra querer mudar de regime e desta forma as ideias republicanas são difundidas de uma forma mais rápida e com uma maior adesão popular;
→ Para além do apoio da pequena e média burguesia e do operariado, o movimento republicano tinha o apoio de sociedades secretas como a Maçonaria e a Carbonária;
→ Os principais difusores do republicanismo foram: Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Teófilo Braga, entre outros.
Partido Socialista:
→ Fundado em Portugal em 1875, não teve os apoiantes esperados, pois o operariado apoiava os republicanos;
Criticavam o capitalismo e não aceitação a propriedade privada.

Revolução Republicana:
Ditadura de João Franco (1907);
O rei era acusado de passar mais tempo a distrair-se do que à frente da governação do reino;
Em 1908, deu-se o Regicídio, o Rei D. Carlos e o seu filho, o príncipe herdeiro, D. Luis Filipe foram assassinados em Lisboa;
D. Manuel II sobe ao trono e apesar das suas ideias liberais não conseguiu travar o crescimento do republicanismo;
5 de outubro de 1910, a revolução republicana triunfou e implementou o Republica em Portugal.

Filmes – Capitães de Abril

Capitães de Abril

Sinopse: Um retrato da Revolução dos Cravos, que mudou a história portuguesa na década de 70. A realizadora e actriz Maria de Medeiros faz um retrato pessoal e nostálgico dos episódios mais marcantes do 25 de abril.

FICHA TÉCNICA:
Realização:
Maria de Medeiros
Interpretação:
Frédéric Pierrot, Joaquim de Almeida, Joaquim Leitão, Luís Miguel Cintra, Maria de Medeiros, Ricardo Pais, Ruy de Carvalho, Stefano Accorsi

25 de abril – Cronologia (III)

– 13.00 – Militares da GNR, fiéis ao regime, ocupam posições na Rua Nova da Trindade, cercando as forças de Salgueiro Maia que, entretanto haviam tomado o Largo do Carmo. O Brigadeiro Junqueira dos Reis, comandando os militares que lhe permaneceram fiéis, ocupa o Largo de Camões.
– 13.15 – Forças do Regimento de Cavalaria 3 controlam a Ponte Salazar. Uma coluna deste Regimento segue então para Lisboa, para prestar auxílio ao contigente da EPC, que ocupava o Largo do Carmo.
– 13.30 – Um grupo de militares comandados por Jaime Neves ocupa as instalações da Legião Portuguesa (LP), na Penha de França.
– 14.00 – Em face do avanço das forças do Regimento de Cavalaria 3, o contigente que fiel ao regime que cercava o Largo do Carmo bate em retirada.
– 14.30 – Em comunicado transmitido pela rádio, o MFA garante que os lugares-chave que o Movimento previa ocupar estavam já sob o seu controlo e o principais dirigentes do regime presos ou sitiados.
– 15.00 – Perante o impasse vivido no Quartel do Carmo, onde as forças fiéis ao regime não davam sinais de rendição, Salgueiro Maia ordena a sua capitulação em quinze minutos.
– 15.15 – Em face da recusa da rendição dos militares sitiados no Carmo no prazo exigido, tem início o bombardeamento do Quartel, com recurso a armamento ligeiro, interrompido pouco depois
Simultaneamente, tem início a libertação dos militares envolvidos no golpe frustrado de 16 de Março, que se encontravam detidos no Presídio Militar da Trafaria.
– 16.30 – Sitiado no Quartel do Carmo, Marcello Caetano solicita ao General Spínola que ali compareça para lhe entregar o poder. Pedro Feytor Pinto, Director dos Serviços da Informação e Turismo e Nuno Távora, assessor do secretário de Estado da Informação, Pedro Pinto, serão os mediadores entre o Presidente do Conselho e o General.
– 18.00 – Spínola entra no Quartel do Carmo, sob o aplauso dos populares que enchem o largo. Marcello Caetano transmite o poder ao General, pedindo-lhe que evite que este caia na rua.
Forças da EPA entram no Regimento de Lanceiros 2. O Comandante Coronel Pinto Bessa recusa aderir ao Movimento, não sendo acompanhado pelos graduados milicianos e praças sob seu comando, que se colocam à ordens do MFA.
– 18.15 – Oficiais do Regimento de Cavalaria 7 aderem ao MFA.
– 18.40 – A emissão da RTP é interrompida. O locutor Fialho Gouveia lê um comunicado do MFA.
– 19.30 – Marcello Caetano, César Moreira Baptista, Ministro do Interior, Rui Patrício, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Coutinho Lanhoso, adjunto militar do Presidente do Conselho, abandonam o Quartel do Carmo numa viatura Chaimite, sob os apupos da multidão.
– 20.00 – Rendidos o Presidente do Conselho e os principais membros do Governo, é lida, aos microfones do RCP, a Proclamação do MFA.
– 20.30 – O General Spínola chega ao Quartel da Pontinha, onde estava sedeado o Posto de Comando do MFA.
– 21.00 – Da sede da PIDE/DGS, que permanece cercada por populares, são disparados tiros que causam quatro mortes e várias dezenas de feridos.
– 23.30 – Ocorrem incidentes entre populares e a PSP na Avenida dos Aliados e na Praça da Liberdade, de que resultam feridos.

25 de abril – Cronologia (II)

– 4.45 – Através do RCP, é lido um segundo comunicado destinado aos militares em posição de comando, exortando-os, sob ameaça de punição, a não desencadearem operações contra o Movimento.
– 5.00 – O director da PIDE/DGS, Major Silva Pais, estabelece contacto telefónico com Marcello Caetano, dando-lhe conta das movimentações em curso, indicando o Quartel do Carmo, sede da GNR, como lugar de refúgio.
A Companhia de Caçadores 4241 ocupa as antenas do RCP e assume o controlo da Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira.
– 05.50 – A coluna da EPC, comandada por Salgueiro Maia, chega à Baixa de Lisboa, ocupando o Banco de Portugal e a Rádio Marconi.
– 6.00 – Os militares comandados por Salgueiro Maia ocupam o Terreiro do Paço.
Marcello Caetano chega ao Quartel do Carmo.
– 7.00 – Forças da EPA ocupam posições junto ao monumento do Cristo-Rei, em Almada.
Uma força munida de auto-metralhadoras, comandada pelo Tenente-Coronel Ferrand de Almeida defronta-se com a coluna de Salgueiro Maia, que recusa a capitulação. Ferrand de Almeida rende-se.
– 8.30 – Os Ministros da Marinha e do Exército, que se haviam deslocado para os respectivos Ministérios, sitos no Terreiro do Paço, refugiam-se no Regimento de Lanceiros 2, onde começam a preparar a resistência ao golpe.
É emitido um novo comunicado do MFA, desta feita através da EN.
– 10.00 – Militares do Regimento de Cavalaria 7, comandados pelo Brigadeiro Junqueira dos Reis, adjuvados por um contigente de Lanceiros 2, deslocam-se para a Ribeira das Naus. Salgueiro Maia apela ao diálogo, recusado por Junqueira os Reis, que ordena ao Aspirante Sottomayor que abra fogo, ordem que este recusa, no que é acompanhado pelos atiradores dos carros de combate. Fracassada a confrontação, Junqueira dos Reis retira
para a Rua do Arsenal, com alguns dos seus homens.
– 10.30 – As forças do Regimento de Cavalaria 7 que ainda permaneciam na Ribeira das Naus rendem-se ao Major Jaime Neves.
– 11.00 – Salgueiro Maia inicia a marcha para o Quartel do Carmo, sendo vitoriado pela população que, desobedecendo às recomendações do MFA para permanecer em casa, sai à rua em apoio aos militares revoltosos.
O Agrupamento Norte, sob o comando do Capitão Gertrudes da Silva chega ao Forte de Peniche. A PIDE/DGS não mostra intenção de se render.
– Final da manhã – Um grupo de Fuzileiros desloca-se para a Rua António Maria Cardoso com destino à sede da PIDE/DGS. Após conversações com o Comandante Alpoim Calvão, que se encontrava nas instalações da polícia política, regressam ao quartel.

25 de abril – Cronologia (I)

– 0.30 – Os militares do MFA ocupam a Escola Prática de Administração Militar.
– 1.00 – É tomada a Escola Prática de Cavalaria de Santarém, ao mesmo tempo que se inicia a movimentação de tropas em Estremoz, Figueira da Foz, Lamego, Lisboa, Mafra, Tomar, Vendas Novas, Viseu, e outros pontos do país.
– 3.00 – As forças revoltosas, numa acção sincronizada, iniciam a ocupação dos pontos da capital considerados vitais para o sucesso da operação: o Aeroporto de Lisboa, o Rádio Clube Português, a Emissora Nacional, a RTP e a Rádio Marconi. Todos estes alvos serão ocupados sem resistência significativa.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel Carlos Azeredo toma o Quartel General da Região Militar do Porto. Mais tarde estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras.
– 3.30 – Os militares do MFA iniciam o cerco ao Quartel-General da Região Militar de Lisboa, em São Sebastião da Pedreira.
– 4.00 – Devido à falta de noticias sobre o controlo do Aeroporto de Lisboa, é adiada a transmissão do primeiro comunicado do Movimento, prevista para esta hora no RCP.
– 4.15 – O regime reagiu, com o ministro da Defesa a ordenar a forças sediadas em Braga para avançarem sobre o Porto, com o objectivo de recuperar o Quartel-General, mas estas forças tinham aderido ao MFA e ignoraram as ordens.
– 4.20 – As forças da Escola Prática de Infantaria de Mafra controlam o aeroporto de Lisboa que é encerrado. O tráfego aéreo é reencaminhado para Madrid e Las Palmas.