Preparação para o Exame Nacional de Filosofia: Thomas Kuhn

1. Considere o texto seguinte.
Quando os cientistas têm de escolher entre teorias rivais, dois homens completamente comprometidos com a mesma lista de critérios de escolha podem, contudo, chegar a conclusões diferentes. Talvez interpretem o critério da simplicidade de maneira diferente ou tenham convicções diferentes sobre os campos a que o critério de consistência se deva aplicar. Ou talvez concordem sobre estas matérias, mas divirjam quanto a pesos relativos a atribuir a esses e a outros critérios. No que respeita a divergências deste género, nenhum conjunto de critérios de escolha já proposto é útil. Quer dizer, há que lidar com características que variam de um cientista para outro.
T. Kuhn, A Tensão Essencial, trad. port., Lisboa, Ed. 70, 1989, p. 388 (adaptado)

1.1. Formule o problema de filosofia da ciência acerca do qual o autor toma posição.
1.2. Concorda com a tese central defendida? Justifique, relacionando a sua resposta com uma teoria estudada.

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Filosofia 11.º Ano – Exercícios de Preparação: Exame Nacional de Filosofia

1. Leia o seguinte texto:

«Todas as cores da poesia, por mais esplêndidas, jamais podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a descrição pela paisagem real. O mais vivo pensamento é ainda inferior à mais fraca sensação.
Podemos observar uma distinção semelhante; um homem, num acesso de cólera, é estimulado de um modo muito diferente daquele que apenas pensa nessa emoção.»
D. Hume, Investigação sobre o Entendimento Humano, Lisboa, Lisboa Editora, 2006

1.1 A partir do texto, esclareça a distinção que Hume estabelece em relação à perceção dos objetos, ou do conhecimento que deles temos.

1.2 Thomas Kuhn apresenta uma conceção de ciência suportada em paradigmas. Esclareça a importância que os conceitos de paradigma e revolução desempenham na teoria de Kuhn sobre a ciência.

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Filosofia 11.º Ano – Thomas Kuhn: Críticas à Conceção Kuhniana de Ciência

Críticas à conceção kuhniana de ciência:

Incomensurabilidade dos paradigmas

> O facto de os paradigmas serem incomensuráveis implica a impossibilidade de os comparar e avaliar objetivamente.
> Cada paradigma representa um modo totalmente diferente de encarar os problemas e propor soluções, não havendo hipótese de partilha, cooperação ou diálogo entre eles.
>Assim, alguns críticos acusam Kuhn de ser relativista.

– Adoção de um novo paradigma

> O critério para justificar a adoção de um novo paradigma é considerado «irracional» por alguns autores.
> A adesão a um novo paradigma ocorre por conversão (quase religiosa) de todos os cientistas – como se se tratasse de uma questão de fé – ao novo paradigma.
> Este processo traduz a ideia de que a atividade científica é irracional (o que põe em causa o valor da ciência).

Filosofia 11.º Ano – Thomas Kuhn: A Escolha de um Novo Paradigma

– Quando a comunidade científica tem de escolher entre dois paradigmas rivais, gera-se o debate.
– A atividade do cientista não se reduz à resolução de enigmas, ao recurso à lógica e à experimentação, mas está dependente da argumentação.
– Na obra A Tensão Essencial, Kuhn define os critérios a partir dos quais, regra geral, os cientistas escolhem determinadas teorias e abandonam outras.

Filosofia 11.º Ano – Thomas Kuhn: Os Paradigmas são Incomensuráveis

Os paradigmas são incomensuráveis, isto é, são incomparáveis e incompatíveis. Não podemos comparar objetivamente aquilo que cada paradigma defende, pois correspondem a formas totalmente diferentes de explicar e prever os fenómenos.

Interpretação diferente do progresso da ciência:

O progresso científico não pode ser entendido como um processo contínuo e cumulativo de teorias ou paradigmas cada vez melhores em direção a uma meta ou fim;

Se não podemos afirmar que um paradigma é melhor que o antecessor, também não podemos afirmar que, ao ocorrer uma mudança de paradigma, há uma evolução da ciência para melhor: não podemos dizer que o novo paradigma descreve melhor a realidade que o antecessor.
> A ciência não progride de forma cumulativa e contínua.
>> Recusa da ideia de que a ciência é o único meio para alcançar a verdade (cientifismo Ingénuo).
> As mudanças de paradigmas não implicam a aproximação à verdade.
>> Recusa da visão teleológica da evolução da ciência: a verdade não é a meta para a qual ela se orienta.

Filosofia 11.º Ano – Thomas Kuhn: A verdade das Teorias Científicas

A verdade das teorias científicas está sempre dependente do paradigma em que se inserem: aquilo que é verdadeiro num paradigma pode não o ser noutro.

Três conceções de espaço que suportam três geometrias diferentes: todas podem ser verdadeiras, pois funcionam em paradigmas distintos (a de Euclides é a que está subjacente à física newtoniana; a de Riemann está subjacente à física einsteiniana).

Filosofia 11.º Ano – Thomas Kuhn: A Mudança de um Paradigma

A mudança de um paradigma para outro não é cumulativa, antes corresponde a um modo qualitativamente diferente de olhar o real.
Kuhn exemplifica com as imagens da psicologia da forma (Gestalt): estas imagens ilustram a inesperada e total mutação de formas que ocorre de um paradigma para outro:

Filosofia 11.º Ano – Thomas Kuhn: Dois Momentos Fundamentais de Progresso no Interior da Ciência

Durante o período de ciência normal:
– O cientista, sem se desviar do paradigma de referência, faz um estudo cada vez mais específico e aprofundado dos fenómenos. A resolução de novos enigmas significa a possibilidade de validar novos resultados sem pôr em causa as teorias do paradigma vigente;

No período das revoluções científicas:
– Nesta altura, ocorrem novas descobertas, que obrigam a mudanças revolucionárias, porque não se ajustam ao paradigma anterior.

Filosofia 11.º Ano – Aspetos fundamentais do processo evolutivo da ciência segundo Thomas Kuhn: Esquema do Processo de Desenvolvimento da Ciência

Esquema do Processo de Desenvolvimento da Ciência, segundo Thomas Kuhn


Fonte: Novos Contextos, Porto Editora

Filosofia 11.º ano – Aspetos fundamentais do processo evolutivo da ciência segundo Thomas Kuhn: Novo Paradigma

Novo Paradigma, conjunto de crenças, regras, técnicas e valores compartilhados e aceites por uma comunidade científica e que orientam a sua atividade. Corresponde a um modo de fazer ciência, de perceber, abordar e resolver problemas, que se institui no seio dessa comunidade.