Filosofia 11.º Ano – Críticas a Karl Popper

Críticas a Popper:

O processo de refutação ou falsificação não é o procedimento mais comum entre os cientistas.
– Alguns autores defendem que a atitude falsificacionista não corresponde exatamente àquela que os cientistas demonstram na atividade científica.

Considerando a história da ciência, não parece que ela possa evoluir por um processo assente nas refutações.
– Ao nível da história da ciência encontramos episódios que parecem pôr em causa a perspetiva falsificacionista e a ideia de que a ciência progride por meio de conjeturas e refutações.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper: O Critério da Falsificabilidade

O Critério da Falsificabilidade:

– Uma hipótese é científica se, e só se, for falsificável;
– Uma teoria é tanto mais falsificável quanto mais conteúdo empírico ela contenha;
– Permite a Popper responder ao problema da demarcação;
– As teorias científicas são diferentes das não-científicas (ou das pseudocientíficas), na medida em que são falsificáveis.

Conclusão:
– Quanto maior for o risco de o enunciado ser refutado, maior informação ele terá;
– Inversamente, quanto menor risco de ser refutado o enunciado correr, menor conteúdo empírico ele evidenciará.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper: Etapas do Método Hipotético-Dedutivo (ou Conjetural)

Etapas do Método Hipotético-Dedutivo (ou Conjetural):

– Formulação da hipótese ou conjetura a partir de um facto-problema:
– O ponto de partida da investigação científica são os problemas ou factos-problemas . Um facto-problema surge, em geral, de conflitos decorrentes das nossas expectativas ou das teorias já existentes. Para o resolver, o cientista terá de propor uma explicação provisória – hipótese (ou conjetura): momento criativo da atividade científica, associado à intuição, à imaginação, ao raciocínio abdutivo (raciocínio criativo) e não à indução.

– Dedução das consequências:
– Depois de a hipótese ter sido formulada, são deduzidas as suas principais consequências. Ou seja, na prática o cientista procura prever o que pode acontecer se a sua hipótese ou conjetura for verdadeira.

– Experimentação:
– Agora será necessário descobrir se as previsões que o cientista fez estão ou não corretas: a hipótese será testada, confrontada com a experiência. Os resultados podem, então, mostrar o “sucesso” ou o fracasso da conjetura proposta.
– Se for validada pela experiência, a hipótese é considerada como credível e passará a ser reconhecida na comunidade científica – teoria corroborada.
– Se não for validada, teremos de a abandonar ou de a reformular – teoria refutada.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper: Método das Conjeturas e Refutações

O método proposto por Karl Popper ficou conhecido por Método das Conjeturas e Refutações, que pode ser resumido em 3 etapas principais:

Problema:
– O ponto de partida para a ciência, ao contrário do que pensavam os indutivistas não pode ser a observação pura e imparcial dos factos, mas sim um problema levantado por uma observação que entra em confronto com as teorias e expetativas de que já dispomos.

Conjetura:
– Depois da formulação do problema compete ao cientista encontrar uma hipótese que seja uma possível resposta a esse problema.
– Essa hipótese pode ser uma suposição arrojada, imaginativa, mas
devidamente fundamentada, concebida para tentar explicar os factos.
– Popper chama conjeturas a este tipo de hipóteses.

Refutação:
– Esta etapa corresponde à fase em que o cientista testa a hipótese.
– Testar a hipótese consiste em confrontá-la coma experiência.
– Basta encontrar na experiência um elemento que contrarie a hipótese para
que esta seja afastada (refutada pela experiência).
– Este teste refutador deve ser conclusivo.

Filosofia 11.º Ano – Karl Popper e a Ciência (insatisfação da proposta indutivista da ciência)

Karl Popper e a insatisfação da proposta indutivista da ciência.

– Faz-se por um processo de construção criativa de hipóteses– conjeturas – para responder a problemas.
– Ao contrário do indutivismo, Popper entende que a observação não é o ponto de partida do cientista, nem as teorias resultam de inferências indutivas.
A ciência parte de problemas (ou factos-problemas) e as teorias começam por ser hipóteses explicativas e criativas (conjeturas) que terão de ser submetidas a testes rigorosos, tendo em vista a sua refutação.

Filosofia 11.º Ano – A conceção de Ciência de Popper – O Método Conjetural

Karl Popper: O Método Conjetural

– Considera que a especificidade metodológica da ciência não pode assentar na indução.
– A construção do conhecimento científico faz-se através de conjeturas e refutações
Rejeita o critério da verificabilidade e da confirmação das hipóteses e teorias científicas tal como proposto pelo positivismo lógico.
– O critério que garante a cientificidade das teorias é o da sua falsificabilidade.

Filosofia 11.º Ano – Críticas ao Indutivismo

– Críticas ao Indutivismo

A observação não é ponto de partida do método científico e, ainda que o cientista recorra à observação, ela não é totalmente neutra e isenta.
– A observação dos fenómenos ocorre num determinado contexto.
– A observação do cientista é afetada por pressupostos teóricos, teorias, conceitos e expectativas desenvolvidas
face à investigação.

O raciocínio indutivo não confere o rigor lógico necessário às teorias científicas.
– A indução constitui, em termos lógicos, uma operação que obriga a um salto do conhecido para o desconhecido.

Filosofia 11.º Ano – Problema da Indução

Mas será que as teorias e as leis propostas pelos cientistas podem ser realmente verificadas?

“Há corvos negros.”
Esta proposição é verificável: podemos verificar aquilo que ela afirma de cada vez que se vê um corvo. Se o corvo for negro, a proposição é verdadeira

“Todos os corvos são negros.”
Aquilo que nesta proposição se afirma não pode ser estritamente verificado de forma universal, pois é impossível saber a cor de todos os corvos que existiram no passado, que existem e que existirão no futuro.

Logo,

Problema da Indução
Se todos e cada um dos corvos observados até ao momento forem negros, o enunciado «Todos os corvos são negros» traduz uma proposição verdadeira. Assim, o enunciado confirma-se, o que é suficiente para que seja reconhecido como científico.

Filosofia 11.º Ano – Critério da Verificabilidade

Critério da Verificabilidade:

O critério da verificabilidade: é uma teoria é científica somente se consiste em afirmações empiricamente verificáveis.

Verificação da hipótese, passo necessário para assegurar os resultados da investigação.
Mas será que isto é suficiente para garantir que determinada hipótese é de facto de uma (boa) hipótese ou teoria científica?

Problema da demarcação, qual o critério que permite demarcar o conhecimento científico de outros tipos de conhecimento.

Filosofia 11.º Ano – Operações Fundamentais do Método Indutivo

Observação dos Fenómenos:
O cientista observa os factos ou fenómenos e regista-os de forma sistematizada para procurar encontrar as suas causas. A observação, que precede a teoria, é neutra, objetiva e imparcial. A observação e o registo devem ser repetidos várias vezes, com rigor e método.

Descoberta da Relação entre os Fenómenos:
Por meio da comparação e classificação dos casos observados, o investigador procura aproximar os factos para descobrir a relação entre eles. Procede, assim, à formulação de hipóteses, explicações acerca dos fenómenos e das suas relações.

Generalização da Relação:
Recorrendo ao raciocínio indutivo, o cientista generaliza a relação encontrada entre os factos semelhantes, traduzindo-a em leis que expressam as relações constantes entre esses factos. Testada por experimentação, e confirmando-se o que ela propõe, a hipótese pode passar a lei científica.

Resumo:
Experimentação é fundamental para que se possa verificar e confirmar se as relações estabelecidas são aplicáveis a fenómenos semelhantes.

Enunciados do indutivismo:
Princípio da Indução, há uma forma de, a partir da acumulação de factos singulares, inferir enunciados universais;
Princípio da Acumulação, o conhecimento científico é o resultado de factos bem estabelecidos, a que progressivamente se acrescentaram outros sem alteração daqueles;
Princípio de Confirmação, articula a plausibilidade das leis com o número de instâncias a que o fenómeno a que se refere a lei foi submetido.